domingo, 5 de outubro de 2014




Quem dera ...

Os dias passam e não nos damos conta.
A vida passa e tudo é tão rápido...

As possibilidades estão escancaradas,
Mas nem sempre queremos enxergá-las.

A felicidade está próxima,
Mas nem sempre queremos acolhê-la.

Então viver a vida de verdade,
Quem dera...

Rosi Maria Sinja
05/10/2014.

sábado, 6 de setembro de 2014

Uma história de amor


Lembro que era mês de natal e eu estava chegando na feira de domingo do Largo da Ordem com minha filha, que na época tinha uns 7 anos.  Consegui um lugar para estacionar em uma das ruas laterais e quando estávamos descendo, fui abordada por um homem lindo, alto, moreno claro, simpático e educado, que foi logo pedindo licença por estar ali se dirigindo à minha pessoa.
Parei para ouvi-lo. Ele então foi logo se explicando: "me desculpe fazê-la perder seu tempo, mas hoje minha noiva está inaugurando uma barraca de artesanato junto com o seu pai. Sabe, eles ficaram uns seis meses batalhando por esse alvará... Fiquei observando eles de longe e vi que ninguém ainda não comprou nada deles e ela tá com uma carinha desaninhada. Aqui está o dinheiro que dá pra comprar alguma coisa. Como é época de natal, a senhora pode dar de presente pra alguém se não quiser ficar..."
Eu disse que compraria sim e que não precisava me dar o dinheiro, mas ele insistiu. Perguntei onde ficava exatamente a barraca, para que eu não confundisse com outra. Para quem não conhece essa feirinha, são muitas barracas.  
Ele explicou a localização. Então perguntei como era a sua noiva, que era para eu ter certeza de chegar no lugar correto. Ele então olhou ao longe e a descreveu: tem a pele clara, os cabelos escuros e longos. Com os olhos brilhando o moço concluiu, ela é linda! 
Percebi que estava diante de uma linda história de amor. A única exigência do homem bonito, era que eu não contasse nada para ela. Peguei a mãozinha da minha filha, fui até a barraca e comprei essa linda cestinha. 
A moça realmente era bonita. Me disse com sorriso largo, que era a primeira peça que vendia e o pai um senhorzinho com certa idade, me explicando as dificuldades em se instalar (as mesmas que o genro havia mencionado).
Sai dali acreditando que o amor existe e sem vontade de dar a cesta pra ninguém, pelo simples motivo de que cada vez que olho pra ela me lembro dessa linda história.


Rosi Maria Sinja
06/09/2014.

domingo, 17 de agosto de 2014



COSTURAS  DA  ALMA

Chega uma hora que dá uma canseira,
De explicar o inexplicável,
De aceitar o inaceitável,
De querer o impossível.
Chega um momento da nossa vida,
Que queremos apenas ser aceitos,
Do jeitinho que somos,
Cheio de defeitos,
Cheio de chatices,
Cheio de fraquezas.
Chega uma hora da nossa vida,
Que dá uma vontade de mudar o rumo,
Dessa prosa,
Dessa ladainha,
Dessa retórica,
E costurar aqueles buracos,
Que ficaram cravados,
No fundo da nossa alma.

Rosi Maria Sinja
17/08/2014.

domingo, 20 de julho de 2014

Homenagem a Rubem Alves



AMADA CRIATURA


Trazendo outros ventos,
Outros tempos,
Mensagens boas,
Mensagens de esperança.
Mensagens de simplicidade,
Que são as mais difíceis
De concretizar e entender...
Vai como se vão as flores,
Vai como se vão os pássaros.
Vai como as flores,
Que depois se transformam em sementes.
Vai como o canto dos pássaros,
Que depois ecoam dentro de nós.

Rosi Maria Sinja.
20/07/2014.

sábado, 12 de julho de 2014








SILÊNCIO

Entre na minha alma,
Ecoando nas minhas entranhas,
Como quem não quer nada,
E se aninhe em um canto qualquer.
Como aquele despretensioso bichinho,
Que se achega vagarosamente,
Venha e me mostre a candura,
Afinal quero ver,
Que a vida não é tão dura...

Rosi Maria Sinja.
12/04/2014.



terça-feira, 8 de julho de 2014













MANSIDÃO:


Mansidão será que eu posso?
Mansidão será que eu quero?
Mansidão se eu te possuísse,
Poderia cair na mesmice.

Mansidão agora eu posso,
Porque a turbulência já passou,
Mas a brandura que hoje eu trago,
Em nada me faltou.

Mansidão venha comigo
E me diga o que faremos,
Com o vagar da carruagem
Que juntas construímos.

Mansidão, quando eu quiser vá embora,
E me deixe em paz pra guerrear,
Com esse amor que me consome
E que a minha vida faz brilhar.

Rosi Maria Sinja
08/07/2014










MULHER:

Mulher bonita,
Dos olhos acanhados,
Sorria quieta,
Com instintos acabrunhados.

Mulher ligeira,
De andar malemolente,
E rumo determinado,
Mexendo com a gente.

Paralisá-la  impossível
E ninguém se atreve,
No trajeto singular,
Parece tão leve...

Sabe que na caminhada,
 Somente beleza não atrai
Pois tem a certeza,
 Que o belo se vai...

Também não precisa
Só da bela escultura
Porque seus anseios
Vão além da estrutura.

Mulher petulante
Arrojada na vida
E que não se importa
De ser exibida.


Rosi Maria Sinja.
08/07/2014






VIAGEM:

Sai pra uma viagem,
Em busca de mim.
Encontrei desafios,
Problemas sem fim.

Aportei em lugares,
Jamais imaginados,
E no inesperado,
Encontrei alardes.

Diante do nada,
Me vi desamparada,
Procurei tanta ajuda,
 Me senti acuada.

Sem roupa, sem lenço
E sem documento,
Que é como se sente,
Quem está sem alento.

Fui em busca mais uma vez
E então encontrei,
Uma menina querida,
Brincando na vida.

Com carinho a olhei
E ali uma mulher desabrochou,
E nessa viagem, pede passagem:
Aqui eu vou...

Rosi Maria Sinja.
08/07/2014







sexta-feira, 4 de julho de 2014







OLHOS AGUADOS:


Olhos aguados,
Coração pulsante,
Traduzem emoção.

Olhos aguados,
Coração apertado,
Lembram a dor.

Olhos aguados,
Coração desejoso,
Será que é amor?

Olhos aguados,
Coração perplexo,
Diante do desigual.

Olhos aguados,
Coração inquieto,
Ansioso por satisfazer.

Olhos aguados,
Coração impaciente,
Com sofreguidão.

Olhos aguados,
Coração presente,
Para amar e sentir,



Rosi Maria Sinja.
04/07/2014





DISTÂNCIA:

Estar distante,
Embora tão perto...
Para rompê-la,
 Somente a nossa vontade,
Para vivê-la,
 Somente com o nosso desejo.

Distância que dói,
Distância que aproxima,
Com pensamentos intensos,
Desejando o seu cheiro,
Desejando o seu calor.

Distância efêmera,
Em um mundo surpreendente,
Que faz a vida da gente,
Feliz de repente.

Rosi Maria Sinja.
04/07/2014






 PAZ:


Não permitirei tua ausência,
Porque te preciso.
Não deixarei que vá embora,
Pois sem você me desestabilizo.

Busquei e hoje te sinto,
Queria e hoje te tenho.

 Acreditei que poderia te encontrar,
Em qualquer lugar e em qualquer pessoa.
A busca foi em vão...

Foi então que te percebi,
 Na imensidão, plena e forte
 Aqui dentro,
Onde sempre deveria estar.

Quero você assim,
Sempre,
Dentro de mim...

Rosi Maria Sinja.
04/07/2014








MENINA:

Menina branquela,
Sem trava na goela,
Que diz o que pensa,
Sem pensar na ofensa.

Menina traquina,
Jeito de bambina,
Que faz o que quer,
Pra o que der e vier.

Menina mulher,
Que nesse existir,
Às vezes assusta,
Às vezes espanta.

Menina determinada,
Que na madrugada,
Saindo na estrada,
Se vê arrebatada.

Menina safada,
Parece que não quer nada,
Mas que de repente,
Surpreende a gente.

Menina atrevida,
Sem medo da vida,
Se faz de sabida,
E se vai exibida.

Rosi Maria Sinja.
04/07/2014.















UM OLHAR:


Um olhar de menino,
Um olhar mansinho.
Um olhar que aponta,
Tudo que você me conta.

Um olhar que me diz,
Um olhar que eu não quis.
Um olhar que se foi
Depois do que você me propôs.

Um olhar que abala,
Um olhar que fala.
Então por que tudo se abalou,
Quando você me abandonou?

Te quero pertinho
Para ver se me aninho,
Naquele cantinho,
Do seu olharzinho.

Rosi Maria Sinja.






O  AMOR:

Fonte de energia.
Amor, fonte de alegria.
Amor que traz descompasso,
Amor no qual me embaraço.
Amor, que me faz boazinha,
Amor, que me deixa mansinha.
Um olhar diferente,
Que faz parte do meu dia.



Rosi Maria Sinja.
04/07/2014











EM  QUE  LUGAR  DO  CAMINHO...


Em que lugar do caminho
Deixamos as coisas
Que precisamos resolver?

Em que lugar do caminho
Guardamos os sabores dessa vida?
As lembranças de amor?
Onde guardo o que sinto?

Em um olhar aguado,
Em um coração palpitante,
Em um simples afago ou
Em mãos trêmulas e desejosas?


Ah, essas lembranças!
Como viver sem elas e ser feliz?
Como viver com elas
E suportar a dor da saudade?

Lembranças, vagas lembranças.
Lembranças, marcantes lembranças...
Em algum lugar do caminho...

Rosi Maria Sinja.
04/07/2014

O ANDAR DA CARRUAGEM:



O  ANDAR  DA  CARRUAGEM:


Ah, essa delícia de vida,
Que me faz repensar.
Ah, essa coisa gostosa,
Que me leva a falar.

Vida corrida,
Vida desvanecida.
Vida maravilha,
Vida querida.

Entro na carruagem
E me ponho a contemplar.
Trago coisas na bagagem,
Que me fazem reconsiderar.

Elas são o resumo,
Do que pude arrebanhar.
Elas são o enredo,
Os quais pude superar.

Também armazeno idéias,
Umas não quero nem pensar!
Outras quem sabe, relembrar...

Sigo o caminho,
Apreciando a paisagem,
Dentro da carruagem...

Rosi Maria Sinja.
04/07/2014





PRESSA  DE  VIVER:


 Pressa de viver,
Porque já esperei demais...
Me importo com o tempo,
Porque busco a felicidade.
Nisso os minutos são importantes...
Hoje me permito querer tudo
 Porque amanhã é outro dia.
Não tenho porque só esperar:
E ficar olhando o tempo passar.
 A busca não é por acaso,
Passo por dias únicos e finitos:
Faço deles celebração!
Porque não teria sentido
Vivê-los em vão...


Rosi Maria Sinja.
04/07/2014



















quinta-feira, 20 de junho de 2013


O sol que vem e que vai,
O sol que é tão lindo,
O sol que tudo clareia,
O sol que sempre é bem vindo.

Coruja
Coruja que encontrei na rua,
Coruja com vassoura e tudo.
Coruja bichinho cuidadoso,
Coruja, me olha e me desnuda.

Rosi Maria Sinja
20/06/2013.
O brilho do nascer do sol em Fortaleza.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Causo: "Chico Mineiro"


Era simplesmente mais uma manhã fria de domingo, daquelas em que ligamos a televisão logo cedo para assistir o Globo Rural, se não fosse o que estaria por vir...
         Nessa mesma semana havia falecido um famoso cantor sertanejo o Tinoco e esse programa resolveu fazer uma homenagem, contando um pouco da história da dupla “Tonico e Tinoco”, que com toda a certeza, marcou época através da moda de viola e da valorização das coisas do campo e da verdadeira raiz do homem brasileiro.
         Estava ela deitada ao lado do seu companheiro, quando meio envergonhada começou a chorar ao ouvir a música Chico Mineiro. Muitas vezes temos vergonha de chorar, porque possivelmente teremos que explicar o motivo e nem sempre sabemos qual ele é. Mas nesse caso era diferente: ela sabia que estava chorando de saudade do pai. Homem simples, que nasceu no mato e que sabia como ninguém dar bons exemplos de vida.
         Ficou ali chorando, ouvindo a música, a emoção foi crescendo. Foi então que do nada o homem se virou rapidamente e lhe perguntou inquieto: “Você sabe quem é o Chico Mineiro, né?” Perguntou aquilo como quem tem muita certeza da resposta. Ela surpresa, respondeu que não sabia quem era o Chico,  sentindo-se meio desinformada. Ele muito convicto, respondeu que o Chico era um cachorro. Embora duvidosa, ela silenciou...
         Continuaram deitados, quando a história da música começou a ser cantada na reportagem: “fizeram a última viagem, foi lá pro Sertão de Goiás, fui eu e o Chico Mineiro, também foi o capataz”. Nessas alturas a mulher já estava imaginando um cachorro companheiro, amigo e fiel. Foi quando de repente veio o derradeiro desfecho da história e aparece na televisão o homem Chico Mineiro sendo assassinado e pasmem, não era um cachorro!
         Ela não se agüentou, deixou imediatamente aquele choro soluçado e começou a gargalhar. Deu tanta risada, mas tanta risada, que chegou a chorar de tanto rir. Ele meio sem jeito, acabou dizendo que em todos esses anos alimentou a idéia de que o Chico Mineiro era um cachorro e que infelizmente não lembrava mais quem foi que lhe passou essa mentira, mas ai dessa pessoa se ele lembrasse ...
         Reflexão: carregamos algumas verdades nessa vida, as quais em um passe de mágica, correm água abaixo. A vida é mesmo surpreendente, pois se em um instante estamos chorando de tristeza, podem acontecer coisas que nos façam chorar de tanto rir.
Rosi Maria Sinja
31/01/2013.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Causo: O tempo passa...



Edilza era uma senhora meio desligada do mundo. Saiu da Bahia com duas filhas, deixando suas coisas e veio refazer a vida em uma cidade do Paraná.
Casou-se com um homem bem mais velho do que ela e vivia sob suas ordens. Depois tiveram uma menina que dominava o ambiente, um pouco pelo fato de ser a caçula e depois porque percebeu as fragilidades da mãe.
As meninas mais velhas começaram a ter muitas dificuldades na escola, foi quando fui visitar essa família.
A mãe se apavorou, porque inicialmente não estava entendendo nada.  Conversa daqui, conversa de lá e ela foi se situando e entendendo que essa avaliação que estavam por fazer ajudaria na aprendizagem das filhas.
Assim iniciei uma entrevista buscando dados sobre a família, como número de membros, escolaridade, idade, etc.  A maior dificuldade foi obter a idade de cada um, porque a própria Edilza não sabia quantos anos tinha e acabou respondendo que estava com 24 anos. Como ela já tinha uma filha adolescente de 14 anos,  percebi que poderia haver algum engano e então pedi o registro de nascimento.
Edilza que tinha um sotaque nordestino bem pronunciado se apavorou: -"Meu Deus onde tá esse rézistro?” E foi uma correria para achar esse documento em meio a dezenas de papéis que a família guardava. Remexeram até nas montanhas de roupas espalhadas sobre as camas. Depois de algum tempo ela trouxe o papel de cabeça pra baixo e tentava contra a luz, observar os dados que lá estavam escritos. Foi interrompida por um dos cachorros que a atropelou. Nesse instante caiu um pedaço do registro que já estava meio rasgado e o cão acabou comendo o papel. Por sorte era um pedaço do meio e não comprometeu os dados de que eu precisava. Como ela não sabia ler, me entregou o documento.
Foi quando veio finalmente a confirmação da dúvida, pois ao verificar o registro tive que dar a notícia tão esperada e revelar a verdadeira idade daquela sofrida mulher. Então lhe disse: “pelo registro estou vendo que você não tem  24 anos”. Ela então perguntou -“tenho não”? Não, respondi: “você tem 32 anos”!
Ela  colocou uma das mãos sobre a lateral do rosto, olhou para o chão e com olhar de tristeza exclamou: “Meus Deus, como o tempo passa...”
Reflexão: Faça a sua vida acontecer, aproveite todos os seus dias, pois o tempo passa...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013







 O que se foi

Minha angústia foi embora,
E com ela o meu medo.  
Minha ilusão foi embora,
E com ela o meu segredo.
Minha tagarelice foi embora,
E com ela o meu enredo.
Minha inquietação foi embora,
E  me trouxe o sossego.

Rosi Maria Sinja
03/01/2013.
 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O que é fazer 50 anos?




É igual comida instantânea que do nada fica pronta;
É quando percebemos que a maturidade nos ajuda em tantas coisas...
É olhar no espelho e ter a convicção de que apenas um corpinho bonito não basta;
É saber que cuidar da saúde, agora é um imperativo;
É algumas vezes, poder fazer só o que se quer;
É não ligar tanto para a opinião dos outros a nosso respeito;
É poder olhar para trás e ter a consciência tranquila;
É saber que alguns personagens dessa tua história já se foram, mas que outros ficaram e que as coisas continuam acontecendo apesar de;
É ter coragem e ter medo, sem melindres ou vergonha;
É cantar logo cedo, quando a maioria tá meio dormindo;
É gargalhar de si mesmo;
É se vestir do jeito que gosta;
É olhar a filha linda, criada, madura, cidadã;
É poder reavaliar e refazer;
É poder se respeitar e se querer.
Fazer 50 anos não é para qualquer um,
Em um mundo tão desigual e estressante.
O bom mesmo de fazer 50 anos é estar confortável
Com aquilo que conseguimos fazer de nós mesmos,
Com as nossas construções internas,
Com o que podemos deixar de bons e maus exemplos para a vida.
Fazer 50 anos é ter experimentado sozinha uma viagem de quase 500 km a bordo de uma moto pequena e chegar ensopada e feliz no destino.
É ter 20 e poucos anos e se instalar em uma cidadezinha desconhecida e depois sair com um trabalho implantado;
É na maturidade encontrar um grande amor, sonhar juntos e construir um aconchegante cantinho, com fogão a lenha, plantas, casinha de passarinho e um delicioso balanço,
Porque se aprende que o melhor dessa vida está na simplicidade.
É enfrentar a vida de frente, sem pensar que alguém poderia ter feito por nós:
Fazer 50 anos e ter vivido tudo isso, é muito bom!


Rosi Maria Sinja
02/01/2013




quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Causo: “Pimenta no bolo do outro, não arde”


Já ouviram dizer que alguns bolos ficam com “quebranto”? Quebranto é um termo popularmente usado no interior do Brasil e é sinônimo de “olho gordo” ou inveja, como queiram.
O fato é que os bolos que a mulher fazia estavam com quebranto e embora seguisse à risca a mesma receita, sempre abatumavam. Ela fazia tudo certinho. O bolo crescia, crescia, mas quando ela tirava do forno, abaixavam como um saquinho plástico que vai esvaziando.
Embora desanimada com aqueles bolos aquebrantados, chegou um dia que ela resolveu fazer uma cuque de banana e usou uns ingredientes que já estavam há bastante tempo na geladeira, mas pensou: “se não der certo, jogo o bolo fora”.
Chegou cansada do trabalho e fez a cuque: ovos de muitos dias, margarina meio passada, leite de ontem e por cima uma camada generosa de côco ralado, que por sorte encontrou no armário.
O bolo foi crescendo, aquela farofa foi ficando crocante e as raspas de côco douradinhas. Que delícia o cheirinho e se tivesse a sorte de não abatumar então, seria a glória!
Finalmente o bolo estava assado. Ela retirou a forma toda contente, pois dessa vez deu certo. Como pode? E logo hoje que os ingredientes nem eram frescos?
Para incrementar mais a receita resolveu jogar um pouco de canela por cima. Uma amiga certa vez tinha dado a dica: canela na farofa, só depois do bolo assado.
Então, ela mais cansada ainda, embora o bolo já estivesse pronto para o café da tarde, abriu o armário e pegou o vidrinho de canela. Polvilhou generosamente e quando terminou ficou espantada com aquelas pequenas bolinhas pretinhas.
Logo depois dessa polvilhação ficou apavorada, pois percebeu que não era canela, mas sim pimenta. Ficou com cara de boba olhando para o companheiro orgulhoso, que estava pronto para elogiá-la e também para devorar aquelas raspinhas de côco tostadas que ele adorava. Ela apavorada perguntou: -e agoooora?
Bata o côco, ele disse. Ela com o coração partido, levou a forma até a pia e batendo a lateral deixou cair todo o côco. As malditas pimentinhas foram caindo aos montes e o bolo pode ser apreciado.

Reflexão: Quando pensamos que tudo está perdido, se olharmos a situação com otimismo, encontraremos uma saída.
Rosi Maria Sinja
20/12/2012.
Olhando ao longe

Eu gosto de olhar,
E depois perceber,
O que já vivi,
E o que já senti.


Com o horizonte me inspiro,
E através dele planejo,
 depois me pergunto,
porque ainda me falta traquejo?



Me tranquei para o mundo,
Vivido e simplório,
pois no fundo eu já sabia,
que era provisório.


Agora minha inspiração é você,
e não sei no que vai dar.
Olhando ao longe me busco e
Tô indo te encontrar...

Rosi Maria Sinja
20/12/2012.