Lembro que era mês de natal e eu estava chegando na feira de domingo do Largo da Ordem com minha filha, que na época tinha uns 7 anos. Consegui um lugar para estacionar em uma das ruas laterais e quando estávamos descendo, fui abordada por um homem lindo, alto, moreno claro, simpático e educado, que foi logo pedindo licença por estar ali se dirigindo à minha pessoa.
Parei para ouvi-lo. Ele então foi logo se explicando: "me desculpe fazê-la perder seu tempo, mas hoje minha noiva está inaugurando uma barraca de artesanato junto com o seu pai. Sabe, eles ficaram uns seis meses batalhando por esse alvará... Fiquei observando eles de longe e vi que ninguém ainda não comprou nada deles e ela tá com uma carinha desaninhada. Aqui está o dinheiro que dá pra comprar alguma coisa. Como é época de natal, a senhora pode dar de presente pra alguém se não quiser ficar..."
Eu disse que compraria sim e que não precisava me dar o dinheiro, mas ele insistiu. Perguntei onde ficava exatamente a barraca, para que eu não confundisse com outra. Para quem não conhece essa feirinha, são muitas barracas.
Ele explicou a localização. Então perguntei como era a sua noiva, que era para eu ter certeza de chegar no lugar correto. Ele então olhou ao longe e a descreveu: tem a pele clara, os cabelos escuros e longos. Com os olhos brilhando o moço concluiu, ela é linda!
Percebi que estava diante de uma linda história de amor. A única exigência do homem bonito, era que eu não contasse nada para ela. Peguei a mãozinha da minha filha, fui até a barraca e comprei essa linda cestinha.
A moça realmente era bonita. Me disse com sorriso largo, que era a primeira peça que vendia e o pai um senhorzinho com certa idade, me explicando as dificuldades em se instalar (as mesmas que o genro havia mencionado).
Sai dali acreditando que o amor existe e sem vontade de dar a cesta pra ninguém, pelo simples motivo de que cada vez que olho pra ela me lembro dessa linda história.
Rosi Maria Sinja
06/09/2014.
06/09/2014.
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