Já ouviram dizer que alguns bolos ficam com “quebranto”? Quebranto é um termo popularmente usado no interior do Brasil e é sinônimo de “olho gordo” ou inveja, como queiram.
O fato é que os bolos que a mulher fazia estavam com quebranto e embora seguisse à risca a mesma receita, sempre abatumavam. Ela fazia tudo certinho. O bolo crescia, crescia, mas quando ela tirava do forno, abaixavam como um saquinho plástico que vai esvaziando.
Embora desanimada com aqueles bolos aquebrantados, chegou um dia que ela resolveu fazer uma cuque de banana e usou uns ingredientes que já estavam há bastante tempo na geladeira, mas pensou: “se não der certo, jogo o bolo fora”.
Chegou cansada do trabalho e fez a cuque: ovos de muitos dias, margarina meio passada, leite de ontem e por cima uma camada generosa de côco ralado, que por sorte encontrou no armário.
O bolo foi crescendo, aquela farofa foi ficando crocante e as raspas de côco douradinhas. Que delícia o cheirinho e se tivesse a sorte de não abatumar então, seria a glória!
Finalmente o bolo estava assado. Ela retirou a forma toda contente, pois dessa vez deu certo. Como pode? E logo hoje que os ingredientes nem eram frescos?
Para incrementar mais a receita resolveu jogar um pouco de canela por cima. Uma amiga certa vez tinha dado a dica: canela na farofa, só depois do bolo assado.
Então, ela mais cansada ainda, embora o bolo já estivesse pronto para o café da tarde, abriu o armário e pegou o vidrinho de canela. Polvilhou generosamente e quando terminou ficou espantada com aquelas pequenas bolinhas pretinhas.
Logo depois dessa polvilhação ficou apavorada, pois percebeu que não era canela, mas sim pimenta. Ficou com cara de boba olhando para o companheiro orgulhoso, que estava pronto para elogiá-la e também para devorar aquelas raspinhas de côco tostadas que ele adorava. Ela apavorada perguntou: -e agoooora?
Bata o côco, ele disse. Ela com o coração partido, levou a forma até a pia e batendo a lateral deixou cair todo o côco. As malditas pimentinhas foram caindo aos montes e o bolo pode ser apreciado.
Reflexão: Quando pensamos que tudo está perdido, se olharmos a situação com otimismo, encontraremos uma saída.
Rosi Maria Sinja
20/12/2012.
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