domingo, 16 de dezembro de 2012

Causo: Coisas do Oswaldinho...

O mendigo às avessas

       Essa história foi contada por um amigo dele.
       Durante toda a sua vida ele havia enfrentado situações em que as pessoas o confundiam com um mendigo. Talvez fosse pelo jeito de se vestir ou pela barba comprida ou pelos cabelos despenteados, quem sabe? Aliás, cabelos pra cima, historicamente sempre foram um canal direto para a psiquiatria: os loucos tem cabelos alvoroçados.
       Outra razão é porque temos a inevitável e péssima tendência de analisar as pessoas pelas vestimentas e pelo jeitão de existir.
       Foi então que em uma dessas infinitas vezes, ele chegou a um boteco de beira de estrada no Porto de Antonina e pediu um sanduíche. Estava com calça “de tecido” arregaçada até os joelhos, chinelos de dedo e os bolsos cheios, pois carregava documentos e as tantas notas de cem reais dentro do surrado pacote de arroz.
 A senhora que o atendeu, olhou com olhos de compadecimento e lhe entregou o pão.  Com a educação que lhe era habitual, ele comia enquanto  era observado pela mulher que sozinha, deve ter imaginado uma série de coisas sobre aquele homem e sua vida. Depois de comer, ele foi até ela e perguntou quanto lhe devia, foi quando com visível pena daquele homem, ela respondeu que não era nada.
       Acostumado com essa “vida de falso mendigo” ele agradeceu e foi embora. Já não precisava se explicar, afinal o preconceito nesses casos é do outro.
       Como teria que enfrentar uma fila de caminhões para descarregar no porto, acabou ficando mais um dia. 
       No dia seguinte, ele foi fazer um lanche nesse lugar e encontrou a mesma senhora. Novamente pediu um sanduíche, sentou-se e foi comer, quando coincidentemente também chegaram seus funcionários para lanchar. Ele aproveitou e começou a “passar ordens”, perguntar sobre a carga e descarga das carretas, detalhes sobre horários, enfim, assumiu sua posição de liderança.
       A dona do boteco então chamou uma das pessoas que conversava com ele e perguntou: “quem é esse velhinho?”. A pessoa respondeu que era o dono dos caminhões estacionados em frente ao bar e que aqueles homens eram os seus motoristas. A mulher ficou muito espantada ao perceber que não se tratada de um mendigo e na saída quando ele foi lhe perguntar quanto deveria pagar, ela respondeu: “pro senhor são dois sanduíches: o de ontem e o de hoje”. Ele sorriu, pagou e foi embora.

     Reflexão: Não adianta julgar as pessoas pelas aparências, pois corremos o risco de errar, e feio...



2 comentários:

  1. Eu já contei essa história por diveeeeeeersas vezes! Essa é A melhor! E serve de exemplo para não julgarmos pelas aparências!

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    1. É prima, a vida nos coloca diante de pessoas tão especiais, que quando vão embora nos deixam um vazio... Conviver com o "Oswaldinho"foi um presente divino. O "mendigo às avessas"faz parte do meu segundo livro (nenhum ainda publicado,kkkk) e o título é "Causos de família). Me envie outras histórias da família que as transformo em causos. Beijos e boa semana.

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