quinta-feira, 20 de junho de 2013


O sol que vem e que vai,
O sol que é tão lindo,
O sol que tudo clareia,
O sol que sempre é bem vindo.

Coruja
Coruja que encontrei na rua,
Coruja com vassoura e tudo.
Coruja bichinho cuidadoso,
Coruja, me olha e me desnuda.

Rosi Maria Sinja
20/06/2013.
O brilho do nascer do sol em Fortaleza.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Causo: "Chico Mineiro"


Era simplesmente mais uma manhã fria de domingo, daquelas em que ligamos a televisão logo cedo para assistir o Globo Rural, se não fosse o que estaria por vir...
         Nessa mesma semana havia falecido um famoso cantor sertanejo o Tinoco e esse programa resolveu fazer uma homenagem, contando um pouco da história da dupla “Tonico e Tinoco”, que com toda a certeza, marcou época através da moda de viola e da valorização das coisas do campo e da verdadeira raiz do homem brasileiro.
         Estava ela deitada ao lado do seu companheiro, quando meio envergonhada começou a chorar ao ouvir a música Chico Mineiro. Muitas vezes temos vergonha de chorar, porque possivelmente teremos que explicar o motivo e nem sempre sabemos qual ele é. Mas nesse caso era diferente: ela sabia que estava chorando de saudade do pai. Homem simples, que nasceu no mato e que sabia como ninguém dar bons exemplos de vida.
         Ficou ali chorando, ouvindo a música, a emoção foi crescendo. Foi então que do nada o homem se virou rapidamente e lhe perguntou inquieto: “Você sabe quem é o Chico Mineiro, né?” Perguntou aquilo como quem tem muita certeza da resposta. Ela surpresa, respondeu que não sabia quem era o Chico,  sentindo-se meio desinformada. Ele muito convicto, respondeu que o Chico era um cachorro. Embora duvidosa, ela silenciou...
         Continuaram deitados, quando a história da música começou a ser cantada na reportagem: “fizeram a última viagem, foi lá pro Sertão de Goiás, fui eu e o Chico Mineiro, também foi o capataz”. Nessas alturas a mulher já estava imaginando um cachorro companheiro, amigo e fiel. Foi quando de repente veio o derradeiro desfecho da história e aparece na televisão o homem Chico Mineiro sendo assassinado e pasmem, não era um cachorro!
         Ela não se agüentou, deixou imediatamente aquele choro soluçado e começou a gargalhar. Deu tanta risada, mas tanta risada, que chegou a chorar de tanto rir. Ele meio sem jeito, acabou dizendo que em todos esses anos alimentou a idéia de que o Chico Mineiro era um cachorro e que infelizmente não lembrava mais quem foi que lhe passou essa mentira, mas ai dessa pessoa se ele lembrasse ...
         Reflexão: carregamos algumas verdades nessa vida, as quais em um passe de mágica, correm água abaixo. A vida é mesmo surpreendente, pois se em um instante estamos chorando de tristeza, podem acontecer coisas que nos façam chorar de tanto rir.
Rosi Maria Sinja
31/01/2013.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Causo: O tempo passa...



Edilza era uma senhora meio desligada do mundo. Saiu da Bahia com duas filhas, deixando suas coisas e veio refazer a vida em uma cidade do Paraná.
Casou-se com um homem bem mais velho do que ela e vivia sob suas ordens. Depois tiveram uma menina que dominava o ambiente, um pouco pelo fato de ser a caçula e depois porque percebeu as fragilidades da mãe.
As meninas mais velhas começaram a ter muitas dificuldades na escola, foi quando fui visitar essa família.
A mãe se apavorou, porque inicialmente não estava entendendo nada.  Conversa daqui, conversa de lá e ela foi se situando e entendendo que essa avaliação que estavam por fazer ajudaria na aprendizagem das filhas.
Assim iniciei uma entrevista buscando dados sobre a família, como número de membros, escolaridade, idade, etc.  A maior dificuldade foi obter a idade de cada um, porque a própria Edilza não sabia quantos anos tinha e acabou respondendo que estava com 24 anos. Como ela já tinha uma filha adolescente de 14 anos,  percebi que poderia haver algum engano e então pedi o registro de nascimento.
Edilza que tinha um sotaque nordestino bem pronunciado se apavorou: -"Meu Deus onde tá esse rézistro?” E foi uma correria para achar esse documento em meio a dezenas de papéis que a família guardava. Remexeram até nas montanhas de roupas espalhadas sobre as camas. Depois de algum tempo ela trouxe o papel de cabeça pra baixo e tentava contra a luz, observar os dados que lá estavam escritos. Foi interrompida por um dos cachorros que a atropelou. Nesse instante caiu um pedaço do registro que já estava meio rasgado e o cão acabou comendo o papel. Por sorte era um pedaço do meio e não comprometeu os dados de que eu precisava. Como ela não sabia ler, me entregou o documento.
Foi quando veio finalmente a confirmação da dúvida, pois ao verificar o registro tive que dar a notícia tão esperada e revelar a verdadeira idade daquela sofrida mulher. Então lhe disse: “pelo registro estou vendo que você não tem  24 anos”. Ela então perguntou -“tenho não”? Não, respondi: “você tem 32 anos”!
Ela  colocou uma das mãos sobre a lateral do rosto, olhou para o chão e com olhar de tristeza exclamou: “Meus Deus, como o tempo passa...”
Reflexão: Faça a sua vida acontecer, aproveite todos os seus dias, pois o tempo passa...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013







 O que se foi

Minha angústia foi embora,
E com ela o meu medo.  
Minha ilusão foi embora,
E com ela o meu segredo.
Minha tagarelice foi embora,
E com ela o meu enredo.
Minha inquietação foi embora,
E  me trouxe o sossego.

Rosi Maria Sinja
03/01/2013.
 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O que é fazer 50 anos?




É igual comida instantânea que do nada fica pronta;
É quando percebemos que a maturidade nos ajuda em tantas coisas...
É olhar no espelho e ter a convicção de que apenas um corpinho bonito não basta;
É saber que cuidar da saúde, agora é um imperativo;
É algumas vezes, poder fazer só o que se quer;
É não ligar tanto para a opinião dos outros a nosso respeito;
É poder olhar para trás e ter a consciência tranquila;
É saber que alguns personagens dessa tua história já se foram, mas que outros ficaram e que as coisas continuam acontecendo apesar de;
É ter coragem e ter medo, sem melindres ou vergonha;
É cantar logo cedo, quando a maioria tá meio dormindo;
É gargalhar de si mesmo;
É se vestir do jeito que gosta;
É olhar a filha linda, criada, madura, cidadã;
É poder reavaliar e refazer;
É poder se respeitar e se querer.
Fazer 50 anos não é para qualquer um,
Em um mundo tão desigual e estressante.
O bom mesmo de fazer 50 anos é estar confortável
Com aquilo que conseguimos fazer de nós mesmos,
Com as nossas construções internas,
Com o que podemos deixar de bons e maus exemplos para a vida.
Fazer 50 anos é ter experimentado sozinha uma viagem de quase 500 km a bordo de uma moto pequena e chegar ensopada e feliz no destino.
É ter 20 e poucos anos e se instalar em uma cidadezinha desconhecida e depois sair com um trabalho implantado;
É na maturidade encontrar um grande amor, sonhar juntos e construir um aconchegante cantinho, com fogão a lenha, plantas, casinha de passarinho e um delicioso balanço,
Porque se aprende que o melhor dessa vida está na simplicidade.
É enfrentar a vida de frente, sem pensar que alguém poderia ter feito por nós:
Fazer 50 anos e ter vivido tudo isso, é muito bom!


Rosi Maria Sinja
02/01/2013




quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Causo: “Pimenta no bolo do outro, não arde”


Já ouviram dizer que alguns bolos ficam com “quebranto”? Quebranto é um termo popularmente usado no interior do Brasil e é sinônimo de “olho gordo” ou inveja, como queiram.
O fato é que os bolos que a mulher fazia estavam com quebranto e embora seguisse à risca a mesma receita, sempre abatumavam. Ela fazia tudo certinho. O bolo crescia, crescia, mas quando ela tirava do forno, abaixavam como um saquinho plástico que vai esvaziando.
Embora desanimada com aqueles bolos aquebrantados, chegou um dia que ela resolveu fazer uma cuque de banana e usou uns ingredientes que já estavam há bastante tempo na geladeira, mas pensou: “se não der certo, jogo o bolo fora”.
Chegou cansada do trabalho e fez a cuque: ovos de muitos dias, margarina meio passada, leite de ontem e por cima uma camada generosa de côco ralado, que por sorte encontrou no armário.
O bolo foi crescendo, aquela farofa foi ficando crocante e as raspas de côco douradinhas. Que delícia o cheirinho e se tivesse a sorte de não abatumar então, seria a glória!
Finalmente o bolo estava assado. Ela retirou a forma toda contente, pois dessa vez deu certo. Como pode? E logo hoje que os ingredientes nem eram frescos?
Para incrementar mais a receita resolveu jogar um pouco de canela por cima. Uma amiga certa vez tinha dado a dica: canela na farofa, só depois do bolo assado.
Então, ela mais cansada ainda, embora o bolo já estivesse pronto para o café da tarde, abriu o armário e pegou o vidrinho de canela. Polvilhou generosamente e quando terminou ficou espantada com aquelas pequenas bolinhas pretinhas.
Logo depois dessa polvilhação ficou apavorada, pois percebeu que não era canela, mas sim pimenta. Ficou com cara de boba olhando para o companheiro orgulhoso, que estava pronto para elogiá-la e também para devorar aquelas raspinhas de côco tostadas que ele adorava. Ela apavorada perguntou: -e agoooora?
Bata o côco, ele disse. Ela com o coração partido, levou a forma até a pia e batendo a lateral deixou cair todo o côco. As malditas pimentinhas foram caindo aos montes e o bolo pode ser apreciado.

Reflexão: Quando pensamos que tudo está perdido, se olharmos a situação com otimismo, encontraremos uma saída.
Rosi Maria Sinja
20/12/2012.
Olhando ao longe

Eu gosto de olhar,
E depois perceber,
O que já vivi,
E o que já senti.


Com o horizonte me inspiro,
E através dele planejo,
 depois me pergunto,
porque ainda me falta traquejo?



Me tranquei para o mundo,
Vivido e simplório,
pois no fundo eu já sabia,
que era provisório.


Agora minha inspiração é você,
e não sei no que vai dar.
Olhando ao longe me busco e
Tô indo te encontrar...

Rosi Maria Sinja
20/12/2012.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012


O velho chico



Rio São Francisco
Majestoso.
Que sobrevive,
Apesar da ação dos homens.

Rosi Maria Sinja
18/12/2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


Mudanças

As dores e a marcas que vivemos nessa vida,
Ainda pulsam sobre a nossa história.
Contraímos dívidas,
Quando olhamos para o sofrimento do Outro
E nada fazemos.
Nos escondemos no absolutismo das nossas ações,
Aguardando a mesmice dos nossos dias.

Muitas vezes nos assusta a mudança,
Mas ela é sem volta,
Fora do nosso controle...

As forças do novo,
E o atropelo nos empurram...
Resta saber se seguimos em frente,
E nos deixamos dominar
Pelo movimento da vida...

Rosi Maria Sinja
17/12/2012.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Causo: Coisas do Oswaldinho...

O mendigo às avessas

       Essa história foi contada por um amigo dele.
       Durante toda a sua vida ele havia enfrentado situações em que as pessoas o confundiam com um mendigo. Talvez fosse pelo jeito de se vestir ou pela barba comprida ou pelos cabelos despenteados, quem sabe? Aliás, cabelos pra cima, historicamente sempre foram um canal direto para a psiquiatria: os loucos tem cabelos alvoroçados.
       Outra razão é porque temos a inevitável e péssima tendência de analisar as pessoas pelas vestimentas e pelo jeitão de existir.
       Foi então que em uma dessas infinitas vezes, ele chegou a um boteco de beira de estrada no Porto de Antonina e pediu um sanduíche. Estava com calça “de tecido” arregaçada até os joelhos, chinelos de dedo e os bolsos cheios, pois carregava documentos e as tantas notas de cem reais dentro do surrado pacote de arroz.
 A senhora que o atendeu, olhou com olhos de compadecimento e lhe entregou o pão.  Com a educação que lhe era habitual, ele comia enquanto  era observado pela mulher que sozinha, deve ter imaginado uma série de coisas sobre aquele homem e sua vida. Depois de comer, ele foi até ela e perguntou quanto lhe devia, foi quando com visível pena daquele homem, ela respondeu que não era nada.
       Acostumado com essa “vida de falso mendigo” ele agradeceu e foi embora. Já não precisava se explicar, afinal o preconceito nesses casos é do outro.
       Como teria que enfrentar uma fila de caminhões para descarregar no porto, acabou ficando mais um dia. 
       No dia seguinte, ele foi fazer um lanche nesse lugar e encontrou a mesma senhora. Novamente pediu um sanduíche, sentou-se e foi comer, quando coincidentemente também chegaram seus funcionários para lanchar. Ele aproveitou e começou a “passar ordens”, perguntar sobre a carga e descarga das carretas, detalhes sobre horários, enfim, assumiu sua posição de liderança.
       A dona do boteco então chamou uma das pessoas que conversava com ele e perguntou: “quem é esse velhinho?”. A pessoa respondeu que era o dono dos caminhões estacionados em frente ao bar e que aqueles homens eram os seus motoristas. A mulher ficou muito espantada ao perceber que não se tratada de um mendigo e na saída quando ele foi lhe perguntar quanto deveria pagar, ela respondeu: “pro senhor são dois sanduíches: o de ontem e o de hoje”. Ele sorriu, pagou e foi embora.

     Reflexão: Não adianta julgar as pessoas pelas aparências, pois corremos o risco de errar, e feio...



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012


O sol se foi,
Mais uma vez,
Mais um dia.
Assim como ele,
São as coisas da vida ...

Rosi Maria Sinja
13/12/2012. 
O canto das cigarras


Nos leva direto para a infância.
Pra um lugar distante,
Que passou e não precisa voltar.
O canto das cigarras,
É do mato e é pulsante,
E faz relembrar.

Rosi Maria Sinja
13/12/2012.


Os trilhos


"Os trilhos, os caminhos, as possibilidades...
Posso seguir, procurar, encontrar.
E lá longe, ainda distante
Sei que posso chegar... e quero!
As escolhas são tantas, a procura é intensa.
Sei que posso e quero!
Que bom buscar ,
Que bom encontrar,
Que bom relutar...
Lá no fundo pode haver a surpresa e o caminhar sempre é válido.
Me permito e quero.
Me busco e me encontro.
Vou sem pudores,
O que importa é o caminho.
Céu inebriante me mostre,
Céu instigante me acolha e me aceite.
Penso e quero.
Penso e sou..."

Rosi Maria Sinja
2009.




Se fosse publicar meu livro de poesias, colocaria essa foto na capa, pois tem tudo a ver com o título: "Bater das Asas"...