quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Causo: “Pimenta no bolo do outro, não arde”


Já ouviram dizer que alguns bolos ficam com “quebranto”? Quebranto é um termo popularmente usado no interior do Brasil e é sinônimo de “olho gordo” ou inveja, como queiram.
O fato é que os bolos que a mulher fazia estavam com quebranto e embora seguisse à risca a mesma receita, sempre abatumavam. Ela fazia tudo certinho. O bolo crescia, crescia, mas quando ela tirava do forno, abaixavam como um saquinho plástico que vai esvaziando.
Embora desanimada com aqueles bolos aquebrantados, chegou um dia que ela resolveu fazer uma cuque de banana e usou uns ingredientes que já estavam há bastante tempo na geladeira, mas pensou: “se não der certo, jogo o bolo fora”.
Chegou cansada do trabalho e fez a cuque: ovos de muitos dias, margarina meio passada, leite de ontem e por cima uma camada generosa de côco ralado, que por sorte encontrou no armário.
O bolo foi crescendo, aquela farofa foi ficando crocante e as raspas de côco douradinhas. Que delícia o cheirinho e se tivesse a sorte de não abatumar então, seria a glória!
Finalmente o bolo estava assado. Ela retirou a forma toda contente, pois dessa vez deu certo. Como pode? E logo hoje que os ingredientes nem eram frescos?
Para incrementar mais a receita resolveu jogar um pouco de canela por cima. Uma amiga certa vez tinha dado a dica: canela na farofa, só depois do bolo assado.
Então, ela mais cansada ainda, embora o bolo já estivesse pronto para o café da tarde, abriu o armário e pegou o vidrinho de canela. Polvilhou generosamente e quando terminou ficou espantada com aquelas pequenas bolinhas pretinhas.
Logo depois dessa polvilhação ficou apavorada, pois percebeu que não era canela, mas sim pimenta. Ficou com cara de boba olhando para o companheiro orgulhoso, que estava pronto para elogiá-la e também para devorar aquelas raspinhas de côco tostadas que ele adorava. Ela apavorada perguntou: -e agoooora?
Bata o côco, ele disse. Ela com o coração partido, levou a forma até a pia e batendo a lateral deixou cair todo o côco. As malditas pimentinhas foram caindo aos montes e o bolo pode ser apreciado.

Reflexão: Quando pensamos que tudo está perdido, se olharmos a situação com otimismo, encontraremos uma saída.
Rosi Maria Sinja
20/12/2012.
Olhando ao longe

Eu gosto de olhar,
E depois perceber,
O que já vivi,
E o que já senti.


Com o horizonte me inspiro,
E através dele planejo,
 depois me pergunto,
porque ainda me falta traquejo?



Me tranquei para o mundo,
Vivido e simplório,
pois no fundo eu já sabia,
que era provisório.


Agora minha inspiração é você,
e não sei no que vai dar.
Olhando ao longe me busco e
Tô indo te encontrar...

Rosi Maria Sinja
20/12/2012.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012


O velho chico



Rio São Francisco
Majestoso.
Que sobrevive,
Apesar da ação dos homens.

Rosi Maria Sinja
18/12/2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


Mudanças

As dores e a marcas que vivemos nessa vida,
Ainda pulsam sobre a nossa história.
Contraímos dívidas,
Quando olhamos para o sofrimento do Outro
E nada fazemos.
Nos escondemos no absolutismo das nossas ações,
Aguardando a mesmice dos nossos dias.

Muitas vezes nos assusta a mudança,
Mas ela é sem volta,
Fora do nosso controle...

As forças do novo,
E o atropelo nos empurram...
Resta saber se seguimos em frente,
E nos deixamos dominar
Pelo movimento da vida...

Rosi Maria Sinja
17/12/2012.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Causo: Coisas do Oswaldinho...

O mendigo às avessas

       Essa história foi contada por um amigo dele.
       Durante toda a sua vida ele havia enfrentado situações em que as pessoas o confundiam com um mendigo. Talvez fosse pelo jeito de se vestir ou pela barba comprida ou pelos cabelos despenteados, quem sabe? Aliás, cabelos pra cima, historicamente sempre foram um canal direto para a psiquiatria: os loucos tem cabelos alvoroçados.
       Outra razão é porque temos a inevitável e péssima tendência de analisar as pessoas pelas vestimentas e pelo jeitão de existir.
       Foi então que em uma dessas infinitas vezes, ele chegou a um boteco de beira de estrada no Porto de Antonina e pediu um sanduíche. Estava com calça “de tecido” arregaçada até os joelhos, chinelos de dedo e os bolsos cheios, pois carregava documentos e as tantas notas de cem reais dentro do surrado pacote de arroz.
 A senhora que o atendeu, olhou com olhos de compadecimento e lhe entregou o pão.  Com a educação que lhe era habitual, ele comia enquanto  era observado pela mulher que sozinha, deve ter imaginado uma série de coisas sobre aquele homem e sua vida. Depois de comer, ele foi até ela e perguntou quanto lhe devia, foi quando com visível pena daquele homem, ela respondeu que não era nada.
       Acostumado com essa “vida de falso mendigo” ele agradeceu e foi embora. Já não precisava se explicar, afinal o preconceito nesses casos é do outro.
       Como teria que enfrentar uma fila de caminhões para descarregar no porto, acabou ficando mais um dia. 
       No dia seguinte, ele foi fazer um lanche nesse lugar e encontrou a mesma senhora. Novamente pediu um sanduíche, sentou-se e foi comer, quando coincidentemente também chegaram seus funcionários para lanchar. Ele aproveitou e começou a “passar ordens”, perguntar sobre a carga e descarga das carretas, detalhes sobre horários, enfim, assumiu sua posição de liderança.
       A dona do boteco então chamou uma das pessoas que conversava com ele e perguntou: “quem é esse velhinho?”. A pessoa respondeu que era o dono dos caminhões estacionados em frente ao bar e que aqueles homens eram os seus motoristas. A mulher ficou muito espantada ao perceber que não se tratada de um mendigo e na saída quando ele foi lhe perguntar quanto deveria pagar, ela respondeu: “pro senhor são dois sanduíches: o de ontem e o de hoje”. Ele sorriu, pagou e foi embora.

     Reflexão: Não adianta julgar as pessoas pelas aparências, pois corremos o risco de errar, e feio...



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012


O sol se foi,
Mais uma vez,
Mais um dia.
Assim como ele,
São as coisas da vida ...

Rosi Maria Sinja
13/12/2012. 
O canto das cigarras


Nos leva direto para a infância.
Pra um lugar distante,
Que passou e não precisa voltar.
O canto das cigarras,
É do mato e é pulsante,
E faz relembrar.

Rosi Maria Sinja
13/12/2012.


Os trilhos


"Os trilhos, os caminhos, as possibilidades...
Posso seguir, procurar, encontrar.
E lá longe, ainda distante
Sei que posso chegar... e quero!
As escolhas são tantas, a procura é intensa.
Sei que posso e quero!
Que bom buscar ,
Que bom encontrar,
Que bom relutar...
Lá no fundo pode haver a surpresa e o caminhar sempre é válido.
Me permito e quero.
Me busco e me encontro.
Vou sem pudores,
O que importa é o caminho.
Céu inebriante me mostre,
Céu instigante me acolha e me aceite.
Penso e quero.
Penso e sou..."

Rosi Maria Sinja
2009.




Se fosse publicar meu livro de poesias, colocaria essa foto na capa, pois tem tudo a ver com o título: "Bater das Asas"...